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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Laranja Mecânica

Não, eu não estou falando da seleção holandesa. A Warner recentemente anunciou o lançamento da edição especial, em blu-ray, para comemorar os 40 anos do filme “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick. “A Clockwork Orange 40th Anniversary Edition” vai ser aquele pacote bem ao gosto dos cinéfilos e fanáticos pelo filme:

- Dois discos em blu-ray. Ou seja, melhorias infinitas na imagem e no áudio.
- O documentário “Turning Like Clockwork” onde o ator Malcom McDowell (o Alex DeLarge, meu queridos droogs) fala sobre as suas experiências durante as filmagens.
- Outro documentário chamado “Still Tickin’: The Return of Clockwork Orange” 
- Um making-off e vários outros extras.

Essa preciosidade vai ser lançada nos EUA dia 31 de março e custará US$ 34,99. Infelizmente, ainda não tem data prevista para chegar ao Brasil e provavelmente custará o triplo. Para essas e outras existe o Amazon. E o Ebay.

Enfim, como publicitário que se preze não perde uma boa oportunidade, vou aproveitar para falar um pouco do filme.

“Laranja Mecânica” é um filme de 1971, dirigido por Stanley Kubrick e baseado na obra homônima de Anthony Burgess. Extremamente controverso, o filme conta a história de Alex, um rapaz líder de uma gangue de deliquentes cujas atividades envolvem roubos, estupros e o uso da ultra violência. A fascinação de Alex por tais coisas é menor apenas do que sua satisfação em ouvir Beethoven, ou como ele mesmo chama “o grande Ludwig Van.” Entretanto, em uma de suas aventuras noturnas, ele é traído por seus companheiros e condenado a 14 anos de prisão por matar uma mulher de uma maneira um tanto incomum. É na cadeia que Alex ouve sobre o método Ludovico, uma espécie de lobotomia ministrada pelo governo para deter o crime na sociedade, e decide fazer parte da experiência para que possa conseguir a sua liberdade. O processo é bem sucedido e Alex passa a ter uma aversão doentia a qualquer tipo de violência e até mesmo a nona sinfonia de Beethoven, antes a sua preferida. Porem, ele acaba se tornando indefeso com toda violência cometida contra ele. Contar mais do que isso estragaria o fim do filme, que é surpreendente. Alem de divertido (para mim pelo menos é...) o filme é de uma inteligência incrível. Cenas clássicas como a invasão da casa onde Alex se diverte espancando um senhor e estuprando a sua esposa enquanto canta “Singin’ In The Rain”, mostram a forma que Burgess encontrou para criticar uma sociedade repleta de violência, seja ela composta por deliquentes ou até mesmo por aqueles que deveriam garantir a lei e a segurança. É para o bem dessa sociedade hipócrita, sádica e corrupta que os impulsos de Alex são contidos, mesmo que isso signifique privá-lo de seus direitos de escolha e forçá-lo a ser um bom cidadão ainda que extremamente vulnerável. Todo o furacão de som, cor e fúria criado por Kubrick aliado a excelente atuação de Malcom McDowell fazem com que esse filme seja considerado um dos melhores de todos os tempos.  E mesmo já tendo quarenta anos, sempre vai conseguir ser atual.

Um filme bem horrorshow, little brothers.


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First é tua mãe, abs.